Quarta-feira, 19 de Março de 2008

Carta Aberta ao Ministro da Agricultura

Recebida por e-mail mas subscrevo inteiramente... para que conste já fui criador de duas das raças estigmatizadas por dois ministros da agricultura sucessivos e sempre mal fundamentado por estes quanto à necessidade. É a chamada política das "gordas" dos jornais... que infelizmente não se baseia em estudos mas sim em notícias sem relevância estatística e na maior parte dos casos de credibilidade duvidosa...

 

Exmo. Sr. Ministro,

 

Os recentes acidentes com cães de raças listadas como “potencialmente perigosas” vieram de novo lançar o debate e a justificada preocupação da sociedade em geral sobre o tema.

A mediatização destes “acidentes” nos últimos anos veio trazer para o debate político uma realidade que sempre existiu, os cães foram domesticados há mais de 10.000 anos, com o objectivo de proteger os humanos de outros humanos e de predadores. O facto destes disporem de uma “arma natural” os dentes e a boca, foi o factor preponderante nessa domesticação, os cães mordem, sempre morderam e sempre o irão fazer. O que, em determinadas circunstâncias é expectável e perfeitamente justificado, por vezes mesmo de grande utilidade, como a defesa do seu território e da sua matilha (família), numa sociedade crescentemente violenta e com uma insegurança galopante.

A crescente adopção de cães como animais de companhia na sociedade ocidental resulta do aumento do poder de compra e qualidade de vida, verificado no sec. XX, e origina um crescente número de canídeos na na sociedade e com eles, uma incremento da probabilidade de acidentes.

A identificação de uma lista de raças perigosas ou potencialmente perigosas resulta da incapacidade de compreensão da extensão do problema, conjugada com a fácil tentação do populismo baseado no medo das pessoas que desconhecem totalmente o tema ou as raças em questão, e fundamentada numa imprensa cada vez mais sensacionalista.

 

Vamos aos factos, segundo a definição na lei «Animal potencialmente perigoso», qualquer animal que, devido às características da espécie, comportamento agressivo, tamanho ou potência de mandíbula, possa causar lesão ou morte a pessoas ou outros animais”

Como pode se pode compreender uma lista de 7 raças, algumas praticamente inexistentes em Portugal, outras, sem qualquer registo de acidentes, quando de fora da lista ficam os cães utilizados por todas as forças de segurança no mundo pelo seu potencial como:

- Doberman, Pastor Alemão, Pastor Belga...

Como é compreensível que um American Pit Bull, um American Sttafordshire ou um Staffordshire Bull Terrier estejam listados quando o Bull Terrier Inglês um cão em tudo idêntico não.

Estes são apenas alguns exemplos de raças que não são listadas mas cujas características da espécie, comportamento agressivo tamanho ou potência da mandíbula podem causar lesão ou morte a pessoas ou outros animais.

Qualquer conhecedor amador de cães, pode facilmente identificar dezenas de raças. De modo geral, qualquer cão de caça grossa, cão de gado ou pastor, cão de luta ou cão de guarda, têm esse potencial.

A presente lei, discrimina os cidadão com base na sua preferência de canídeos e lança sobre os donos dos mesmos uma perseguição e uma estigmatização incompreensível numa sociedade justa e democrática, o simples facto de possuir um animal dessas raças classifica os donos, aos olhos dos leigos, como criminosos e assassinos.

Para além disso, qualquer especialista na matéria confirmará que a perigosidade de um animal deriva muito mais da educação e nível de sociabilização do mesmo do que das características da raça.

A planeada proibição de raças então, passa a um absurdo completo, que não só não irá resolver o problema, como é o primeiro passo para a proibição de toda e qualquer raça de cão que possa eventualmente desempenhar, a par com o papel de animal de companhia, um papel de guarda, protecção ou segurança, o que parece ainda não ter sido entendido pela maior parte dos amantes de cães. Trata-se de um marco triste também no que diz respeito às liberdades individuais, a par da proibição de piercings na língua, e da acção das polícias junto a grevistas, sindicatos e manifestantes, finalmente uma intervenção do estado sobre a propriedade privada, o cão, propriedade individual, compulsoriamente esterilizado.

A proibição das raças listadas será apenas mais uma medida populista sem efeito, dentro de alguns anos outras raças terão ocupado o lugar das presentes, donos irresponsáveis e cães mal domesticados e socializados continuarão a aparecer nas manchetes de jornais.

Não tenha V EXA qualquer dúvida de que, poderiam ser substituir todos os rottweler e pitbull do país por castro laboreiro e filas de São Miguel (para ficarmos em bons cães de guarda nacionais) que as dentadas de cães não desapareceriam, aliás, conheço pessoalmente um caso de uma criança que foi totalmente desfigurada por um Castro Laboreiro, infelizmente antes desta histeria colectiva chegar. E digo histeria, sem desrespeitar todas as vítimas de ataques ou suas famílias, mas com a perfeita convicção de que, num único acidente rodoviário morrem mais pessoas do que em 20 anos de ataques de cães, ou, como qualquer hospital poderá testemunhar, é muito mais grave crianças andarem sem capacete de bicicleta ou de skate, e o número de acidentes graves que daí resultam muito superior.

Não existe uma receita para o problema, esta no entanto passa pela crescente educação da sociedade, e por uma crescente restrição da posse dos animais, baseados em: criação selectiva e de qualidade e fim dos criadores ilegais, obrigatoriedade de licenciamento e registo de todo e qualquer animal a partir de determinado porte e pertencente a raças de trabalho (caça grossa, guarda, protecção e segurança, cães de gado e pastores, luta), obrigatoriedade de treino de obediência para todos os animais. A aplicação da legislação básica, cães à trela ou confinados em propriedade privada, resolveria 90% dos casos. Como pode ser admissível que de norte a sul do país cães deambulem livremente, sem qualquer limitação, pelas ruas? Como pode ser possível 4 Rottweillers soltos em espaço público matarem uma pessoa? Como pode o governo querer proibir uma raça enquanto em alguns locais deixa os cães dessa mesma raça a viver na rua?

Gostava de fechar esta carta a desafiar qualquer pessoa a demonstrar que a minha cadela American Staffordshire Terrier, é mais agressiva ou perigosa do que qualquer cão do mesmo porte (25kg) como o sejam um boxer, um pastor alemão, já para não falar de raças que atingem praticamente o dobro do tamanho, como um mastim, um dogue alemão ou um Serra da Estrela.

 

Com os melhores cumprimentos,

 

Nelson Rosas Ribeiro

37 anos, orgulhoso proprietário de um American Staffordshire Terrier, a melhor raça de cão do mundo.

 


publicado por caodeguarda às 09:17
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